[02 de novembro de 2021]
Ideias pessoais sobre Ensino a Distância e eLearning
Vejo a Educação a Distância como um formato de aprendizagem sem
barreiras, onde o estudante possui a liberdade de acesso à informação, e o
professor assume o papel de mediador do conhecimento.
Quando Valente
(2011, p. 16) nos apresenta o conceito de aprendiz e aprendizagem
independente, ou “estudo independente” proposto por Wedemeyer (1977),
destaco dois pontos cruciais para a relevância da EaD no Ensino Superior: o
primeiro, em permitir a existência de diversos canais de comunicação por onde a
Educação a Distância seja articulada entre aprendizes e professores. O segundo
ponto é o da democratização do ensino, estimulando que “os alunos do Campus”
não fiquem presos a uma dinâmica de aprendizagem somente dentro do “território”
de um Curso Presencial, no sentido literal da palavra.
Moran (2002) ao
conceituar a EaD, chama a atenção para o uso das Tecnologia de Informação e
Comunicação como meio de intermediar a relação entre o aluno e o professor. Apesar
da diversidade de recursos disponíveis, como correio, o rádio, a televisão, o
vídeo, o CD-ROM, o telefone, e tantas tecnologias semelhantes, a Internet ainda
se mostra como a ferramenta mais dinâmica e democrática para a aprendizagem a
distância. Dez anos antes da proliferação da pandemia de COVID-19, Moran já
falava da EaD como
eixo
norteador das mudanças profundas da educação, em todos os níveis, para todos os
públicos, ao longo da vida de todas as pessoas. (...) As tecnologias digitais,
leves e móveis, facilitam a pesquisa, a comunicação e a divulgação em rede
(Moran, 2011, p. 82 e 83).
Com isso, vejo o
e-Learning como a grande possibilidade de promover o amplo acesso ao Lifelong
Learning, por meio da variedade de recursos disponíveis, como blogs, podcasts,
wikis, vídeos, chats, games, e tantos outros.
Minha primeira experiência com EaD foi na condição de aluno da Licenciatura em Pedagogia na Universidade Metodista de São Paulo (São Bernardo do Campo/SP), no ano de 2010. Dois anos mais tarde, deixei a carreira de Professor e Assessor Pedagógico de Ensino Fundamental e Médio para gerenciar um Polo de Apoio Presencial para Educação a Distância da Universidade de Santo Amaro (São Paulo/SP) numa cidade da Grande São Paulo. Desde então, esta década dedicada à Aprendizagem Digital vem me mostrando ideias, estratégias, recursos e processos para a entrega de um serviço cada vez mais relevante e com extrema qualidade.
Nesta trajetória, ainda faltava a pesquisa sobre as teorias e práticas que fundamentam a Educação a Distância e por isso, a escolha de um curso que aborde esta área de estudo por meio de sua própria proposta metodológica. Não posso dizer que alterei algo de minha visão sobre o eLearning, pelo contrário, desde que iniciei o Módulo de Ambientação Online na UAb, pude corroborar o pensamento de que os estudos sobre a fundamentação teórica da EaD, auxiliam no processo de aculturamento das Escolas que o desejam implantar, e ao mesmo tempo, contribui com sólidos argumentos para esclarecer aos duvidosos, de que Educação a Distância se trata de um processo multifacetado para interação e aprendizagem, e não, uma forma mais fácil de se conseguir uma titulação qualquer.
Ferramentas que conheço ou trabalho em Educação a Distância/eLearning:
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LMS |
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- Moodle, - Blackboard, - Canvas, - Ambientes Virtuais de
Aprendizagem desenvolvidos pelas próprias Instituições. |
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STREAMING |
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- Google Meet, - Collaborate - Zomm - StreamYard - YouTube - OBS Studio |
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OUTROS
RECURSOS |
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- Apowersoft: gravação de
vídeos com captura de tela, - Recursos do Google
Workspace ou Microsoft 365, - Bibliotecas Virtuais para
indicação de referências bibliográficas aos estudantes (Minha Biblioteca,
Pearson, Saraiva), - Plataformas para gestão
dos serviços acadêmicos e financeiros da Instituição de Ensino. |
A imagem criada por mim a
partir de elementos disponíveis no site www.flaticon.com,
remete à ideia do estudante como foco central da engrenagem de recursos e
processos dedicados na mediação da aprendizagem por meio das tecnologias,
observando a flexibilidade de espaço geográfico e o alcance de novos
conhecimentos nos espaços abertos de todo o mundo.
Por fim, a
engrenagem é sustentada pela alusão de uma rede de conexões, trazendo a
reflexão de que nossa sociedade está ancorada na Era do Conhecimento.
Teóricos/investigadores de EaD ou de elearning que considero relevantes:
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INVESTIGADOR NACIONAL (Portugal) |
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Fernando Albuquerque Costa Professor Titular do Instituto de
Educação da Universidade de Lisboa. Pesquisador de aprendizagem, currículo, tecnologias
e desenvolvimento profissional de professores para uso das TICs nas práticas
escolares.
http://www.ie.ulisboa.pt/docente/fernando-albuquerque-costa
A escolha do Prof. Fernando Costa veio
a partir da indicação de uma de suas ex-alunas do Mestrado em Educação e
Tecnologias Digitais da Universidade de Lisboa. Seu trabalho parece-me
especialmente claro e contextualizado ao tratar do desenvolvimento
profissional de educadores, ao promover o uso de Tecnologias da Informação e
da Comunicação, além de investigar os impactos e os processos de
desenvolvimento da aprendizagem e da inclusão digital de adultos nas tarefas
cotidianas, quando mediada por tecnologias.
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INVESTIGADOR
INTERNACIONAL (Brasil) |
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José Manuel Moran Professor Aposentado na Universidade de
São Paulo (Brasil), onde atuou como docente de Novas Tecnologias. É
Professor, Pesquisador, Conferencista e Orientador de Projetos de
transformação da Educação com metodologias ativas e modelos híbridos.
http://lattes.cnpq.br/4035390540170184
A escolha do Prof. José Moran se dá por
ser uma das grandes referências do pensamento de Educação a Distância do
Brasil. Há anos, vem desenvolvendo pesquisas e apresentando trabalhos da
área, em especial, promovendo consultorias para implementação de ferramentas
e metodologias de inovação no Ensino.
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Sinopse para
vídeo relato: Quem tem medo do EaD? |
Existiam aqueles
que se arriscavam a fazer um curso a partir do eLearning, seja pelo custo
monetário mais baixo, pela flexibilidade de estudar no horário que puder ou no
local onde estiver mais confortável e melhor equipado. Mas sempre houveram
aqueles que tomavam à frente em dizer que qualidade de ensino, estava associada
exclusivamente ao contato presencial e que nenhuma forma de intermediação
virtual poderia de fato desenvolver o aprendizado.
Até que um vírus
na Terra, promoveu uma pandemia planetária. Num cenário que poderia lembrar um
grande apocalipse ou um filme de ficção científica, todos cantaríamos Raul
Seixas (1977):
E
o aluno não saiu para estudar
Pois
sabia o professor também não tava lá
E
o professor não saiu pra lecionar
Pois
sabia que não tinha mais nada pra ensinar
Bem verdade é que
o aluno e o professor realmente não saíram de casa, mas o que Raul não
imaginava mais de 40 anos antes da Pandemia de COVID-19, é que o Ensino mediado
por Tecnologias iria garantir que o “professor tenha tudo para ensinar”.
O vídeo carrega
no título a imagem de Elizabeth Taylor e Richard Burton, que no cinema,
eternizaram o casal emocionalmente perturbado de “Quem Tem Medo de Virgínia Woolf?”,
um trocadilho com o apelido da escritora britânica e a palavra inglesa
"wolf" (sig. Lobo) e a questão que permanece no clássico de Hollywood
é, "quem tem medo do lobo mau?".
Aqui, “este lobo”
representa os medos de alunos e professores ao descobrir que estudar a
distância, é sim complexo, porque demanda cooperação, interação, autonomia,
definição de rotina, entre outros.
Nossos personagens, talvez não tenham a dimensão desta amplitude, mas são as pesquisas de Fernando Albuquerque Costa (Universidade de Lisboa) e José Moran (Universidade de São Paulo), que nos apresentam a realidade de um processo educacional fantástico, cheio de riquezas por meio da potencialidade das tecnologias para a Educação em rede, amenizando nossos medos e provando que aprender é para todos, inclusive, por meio do EaD.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ARANTES, Valéria
Amorim (org.). Educação a distância: pontos e contrapontos. São Paulo:
Summus, 2011.
OLIVEIRA,
Aldimária Francisca P. de et al Educação a Distância no mundo e no Brasil. Revista
Educação Pública, v. 19, nº 17, 20 de agosto de 2019. Disponível em:
https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/19/17/ead-educacao-a-distancia-no-mundo-e-no-brasil. Acesso em 30 de outubro de 2021.
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